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Envelhecimento” rápido com Giz Pastel

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Antes de iniciarmos esta matéria, gostaríamos de lembrar ao leitor de que no modelismo ferroviário não deve existir obrigação de nada. Devemos fazer aquilo que nos agrada, e nunca nos sentirmos menor do que ninguém por isso, nem seguir o que a maioria faz se isto não for de nosso gosto ou agrado. Devemos ser nós mesmos sempre.

Isto posto, vamos ao nosso assunto. Não é difícil percebermos que o trem elétrico é a coisa mais importante de nossa maquete, e sentimos isso mais fortemente quando assistimos os vagõezinhos começando a se mover e o nosso trem lentamente ir deixando a estação Nossos olhos são seguindo-o, deixando o pátio, passando a primeira travessia em nível, adentrando a paisagem rural, passando nos tuneis, pontes, etc.

Por uns momentos, chegamos a esquecer seu tamanho em escala e o imaginamos quase como que fosse um trem de verdade. Sem o movimento dos trens, nós não teríamos nada além do que um diorama.

E é justamente pelo fato de eles rodarem que nós desejamos cada vez mais que eles o façam extremamente bem, que pareçam o mais possível com a realidade. Ora, nada os torna mais irreais, com a aparência de simples brinquedos, diminuindo a nossa ilusão de estarmos movimentando uma ferrovia, do que quando estão limpinhos e brilhantes, da maneira que os tiramos da embalagem, contrastando com o cenário super detalhado que construímos na maquete.

Os trens reais nunca permanecem com a aparência de novos por muito tempo. O sol queima e desbota a pintura das locomotivas e vagões. A sujeira trazida pelo vento, pela água das chuvas, a poeira, a fuligem e a ferrugem que normalmente aparece nos metais, tudo isso acaba marcando os equipamentos ferroviários, por estarem constantemente expostos ao tempo. Em pouquíssimo tempo, tudo na ferrovia acaba ficando com um aspecto de sujeira.

Obviamente, nossos modelos em escala não sofrem as intempéries da natureza, de forma que precisamos criar esses efeitos artificialmente. Por mais que se queira, industrialmente, sofisticar as miniaturas, é difícil obter realismo quanto à ação do tempo sobre os mesmos. Só o próprio modelista, com seu toque artístico, poderá obter isso. Muitos modelistas têm medo de “envelhecer” um vagão ou uma locomotiva, porque acham que assim estão estragando o objeto. Isto não é verdade. O modelo envelhecido e super detalhado fica extremamente mais real.

Temos uma grande variedade de técnicas e materiais para obtermos os efeitos de um envelhecimento que desejamos. Um método rápido e efetivo entretanto, tem, dado bons resultados através do tempo: giz pastel seco. Mas tem de ser giz pastel mesmo, desses usados pelos artistas e desenhistas. Giz escolar comum não serve, nem o pastel oleoso. Podemos encontrá-los a venda nas boas papelarias e casas especializadas em artigos para desenho e pintura.

Vamos precisar, também, de alguns pincéis para a aplicação do giz, especialmente alguns de números 2 e 4, de pelos macios e de boa qualidade, e mais um de ponta bem fina, para usarmos nos pequenos detalhes.

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Figura 1

Para usarmos o giz, será necessário antes, transformá-lo em pó. Há quem prefira usar, para isso, uma lixa grossa, porém o melhor mesmo continua sendo raspar o bastão com um estilete fino e afiado (figura 1). A granulometria do pó raspado deve ser a mais fina possível. Esse pó tende a se espalhar com facilidade, assim é bom guardá-los em pequenos vidros, separados por cores. Ao usá-los, podemos esparramar sobre uma folha de papel branco, porém o ideal é fazê-lo dentro de um pequeno estojo de plástico, onde serão retirados à medida da necessidade do próprio pincel.

O “envelhecimento” feito com giz pastel é rápido, barato e tem a grande vantagem de poder ser desfeito, se não gostarmos do resultado, de modo que não há desculpa por não tentar o método, a menos que não se queira alterar os modelos, como já dissemos no parágrafo inicial.

Aplicar a camada básica para o envelhecimento é uma simples questão de saber dosar as misturas do pó. Raspe uma boa quantidade das cores preta e marrom no estojo de plástico. Use o pincel maior para misturar bem as cores e aplique-as sobre o modelo, de cima para baixo,(figura 2) deixando que o excesso do pó do giz caia dentro do estojo.

Figura 2

Figura 2

O modelo irá reter uma fina camada de giz, que proporciona à superfície uma leve camada de “sujeira”. A maior parte do pó irá fixar nas fendas de plástico, rebites e protuberâncias – exatamente os mesmos lugares onde a sujeira real tende a se acumular. Se não conseguir de imediato a aparência da coloração desejada, principalmente nos vagões mais brilhantes, tente a técnica da superfície úmida: aplique o giz ligeiramente umedecido em água.

Envelhecer com o uso de giz umedecido requer um pouco mais de prática, uma vez que o efeito final só se torna visível após a completa secagem do giz.

As cores a serem usadas nos equipamentos ferroviários são poucas: praticamente o preto, o marrom, o branco e o laranja ou cor de terra, para produzir a “ferrugem”. Nunca use o preto puro, misture-o sempre com um pouco de branco, na proporção de 80% para o preto e 20% para o branco.

Use pouco o branco puro, só o faça como uma segunda mão sobre a cor básica, caso deseje suavizá-las, sempre em aplicações leves e repetidas.

Pode-se usar o marrom e o laranja (ou cor terra) para simular ferrugem que costuma aparecer no teto e laterais dos vagões.

Ao envelhecer as frentes dos vagões não se esqueça daquelas duas marcas verticais causadas pela sujeira jogada pelas rodas dos outros vagões da composição. Use o pincel de ponta fina para simular esse efeito, trabalhando com o pós do giz umedecido em água para melhor controlar o efeito desejado. Tratamento similar pode ser aplicado na parte de baixo dos vagões, como truques, rodeiros, cilindros de ar comprimido, etc.

É difícil de se cometer muitos erros com esse processo de envelhecimento, mas eles podem ocorrer. Quando isso acontecer, não se preocupe: uma das facilidades desse método é que se pode lavar o vagão ou a locomotiva e começar tudo novamente.

Ao final, será preciso proteger o envelhecimento, com o auxilio do verniz fosco em spray, para que o trabalho não saia ou desapareça com o manuseio do modelo. Existem várias marcas de verniz fosco, fixador e costumamos recomendar a marca Acrilfix Fixador TK, referência 10972, fabricado pela Acrilex e encontrado em papelarias e lojas de tintas.

Figura 3

Figura 3

É melhor que se aplique camadas suaves do verniz, enquanto se faz o envelhecimento, do que uma só aplicação forte no final.

Para finalizar, um lembrete: outra maneira prática de reproduzir os pontos de ferrugem que começam a aparecer nas laterais dos vagões é feita com outro material. Use a ponta de um arame bem fino, ou fio descascado (Figura 3). Suje a ponta do arame com tinta acrílica cor laranja/ferrugem e aplique alguns pontos da tinta na lateral dos vagões. Em seguida, com um pincel bem fino e seco, “puxe” verticalmente o “ponto” da tinta de cima para baixo. O efeito é excelente.

Fonte - Revista Trens & Modelismo - Volume 07







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