Search

Mau contato nos trilhos

0 Flares 0 Flares ×

Problemas de mau contato tem sido, de longa data, o terror dos modelistas ferroviários. É preciso ter em mente que a limpeza dos trilhos é tão essencial quanto o cuidado com o material rodante, pois desse cuidado depende essencialmente o bom funcionamento da maquete. E não se iluda com o anuncio de que locomotivas com contatos elétricos em todas as rodas não apresentam esse problema! Mesmo as importadas – experimente rodar uma Athearn por um longo período sem limpeza e verá o que acontece.

Os trilhos de latão são atacados pelo oxigênio do ar e sobre eles se forma uma micro camada de óxido que é isolante. Evite usar lixa para limpar os trilhos. Quando se usa lixa, a superfície de contato fica reduzida. Lixar, aparentemente, parece ser uma boa solução, porem, provoca logo um efeito nocivo maior: a poeira se acumula nos riscos deixados pela lixa, piorando a qualidade do contato.

O outro problema é o do “faiscamento” – faíscas entre as rodas das locomotivas e os trilhos. A faísca elétrica acontece quando existe entre a roda e o trilho uma diferença de potencial, já que no ponto onde ela ocorre há um isolamento do ar pelo mau contato existente.  A faísca é uma ionização do ar em altíssima temperatura e atinge portanto a roda ou o trilho, provocando uma micro fusão localizada, seguida de uma oxidação no mesmo ponto causado pelo oxigênio nascente. Cada faísca deixa uma marca, tanto nos trilhos como nas rodas. Embora pequena, essa marca é suficiente para afastar a roda do trilho um milésimo de milimetro, criando espaços para novas faíscas, e assim por diante, até a parada total da locomotiva, por falta de contato.

Como evitar todos esses problemas? Há algumas soluções, já testadas com êxito pelos modelistas mais antigos:

1) Limpe sempre os trilhos com álcool ou benzina, aplicados com um pedaço de pano limpo e que não solte fiapos. Para evitar novamente a oxidação, aplique após a limpeza, uma gota de óleo fino (WD-40, por exemplo) esparramando uniformemente nos trilhos. Evite o excesso de óleo. O excesso de óleo, misturado com a poeira, cria uma casca isolante que piora o contato. O óleo em quantidade reduzida protege o metal de contato direto com o oxigênio do ar. A vantagem do óleo fino é não deixar a superfície seca, quando se usa algum solvente, que sempre provoca condições para a formação de faiscamento. Atente também para a limpeza dos contato que trabalham por trás das rodas da locomotiva e que levam a corrente elétrica dos trilhos até o motor. Também neles não deve haver deposição de sujeira.

2) A “casca” formada pela sujeira pisoteada é removida com uma ponta de madeira ou palito. Em seguida, aplique um solvente e de novo o óleo protetor, em menor quantidade. Essa “casca” fixa, também, nas rodas das máquinas ou vagões. E aqui, não nos cansamos de repetir, o melhor processo de limpeza, aprendido há muitos anos num exemplar da “Model Railroader”: basta umedecer um pedaço de papel toalha ou papel higiênico com álcool e estendê-lo sobre os trilhos. Coloque a locomotiva com um dos truques sobre o papel e acione o controlador, segurando-a levemente para que as rodas patinem. A sujeira fica depositada no papel. Para o outro truque, vire a máquina e coloque outro papel limpo. Para limpar as rodas dos vagões, o processo é parecido, porém mais prático. Coloque o papel toalha sobre um pedaço de trilho (de preferência um trilho longo) e rode o vagão de um lado para o outro com um pouco de pressão, até sair toda a sujeira das rodas.

3) Regularmente, passe um pano seco nos trilhos, para retirar a poeira que naturalmente se assenta sobre eles.

4) Outra opção seria usar, ao construir uma maquete, trilhos de níquel  prata. Esse trilho é altamente inoxidável e não se altera com o tempo, sendo inerte à ação dos agentes atmosféricos, dos óleos e das graxas. Por isso, permanece sempre brilhante, conservando sua excelente condição de contato elétrico, exigindo menos cuidados de conservação e limpeza. Possui um coeficiente de condutibilidade elétrico superior ao do latão, ocasionando menos perda de tensão ao longo do traçado. Por sua melhor condutibilidade, reduz ainda mais o faiscamento sob as rodas da locomotiva. O único problema é que só é vendido em barras de 88 cm, flexíveis, sendo mais recomendados para os modelistas veteranos, que já possuem experiencia em assentamento de trilhos e para traçados com raio de curvas mais abertos.

Fonte - Revista Trens & Modelismo - Edição 01



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 0 Flares ×